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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eis o tempo de conversão!

Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo,
o maior símbolo da Quaresma

Nesta Quarta -feira de Cinzas a Igreja Católica inicia um novo tempo litúrgico: a Quaresma, que se estende até as vésperas da Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta- feira Santa.

Os grandes santos sempre se alegram com a chegada deste tempo, pois nele a Igreja convoca seus filhos para se converterem de seus pecados, que tanto ofendem Nosso Senhor Jesus Cristo. E para chegarmos a conversão, a Igreja nos dá uma receita bem simples: oração, jejum e esmola. Através destas três obras podemos nos aproximar mais de Deus.

Durante este tempo a Igreja usa como cor litúrgica o roxo, para nos lembrar do caráter penitencial da Quaresma. No entanto, no 4° Domingo pode ser usada a cor rosa, uma cor mais alegre, que pretende nos lembrar que a Ressurreição de Jesus se aproxima.

Em muitas igrejas e capelas, principalmente em Minas Gerais, as imagens dos santos e da Virgem Maria são tampadas com um pano roxo ou retiradas dos templos. Essa prática tem dois significados: lembrar as trevas, pois neste tempo lembramos constantemente da Paixão e Morte de Jesus e fazer com que nossas atenções estejam completamente voltadas para o Senhor. Por isso sempre fica uma cruz à mostra na frente do interior das igrejas.

Outro exercício de piedade muito comum deste tempo é a Via-Sacra. Esta oração consiste em meditar diante de 14 quadros ou cruzes, 14 passos do caminho de Nosso Senhor até ser sepultado.

Algo extremamente importante que não podemos deixar de falar é do jejum neste tempo. A Igreja pede que os fieis o façam por completo na Quarta- feira de Cinzas e na Sexta- feira da Paixão (já não mais na Quaresma, mas no Tríduo Pascal), contudo ela incentiva que as pessoas o façam mais vezes e recomenda bastante evitar o consumo de carne, sobretudo às sextas- feiras.

Também aqui no Brasil, durante a Quaresma, a Igreja convoca aos fieis para meditar algum tema de importância significativa para o país, na chamada Campanha da Fraternidade, que este ano aborda a saúde pública, com o tema: “Que a saúde se difunda sobre a terra”. Mas adiante postaremos no nosso blog um texto que enfoque mais diretamente o assunto, com o auxílio da Carta escrita pelo Papa Bento XVI para a CNBB.

Que nesta Quaresma possamos reconhecer nossos pecados e pedir perdão ao Senhor por eles, sempre buscando o confessionário para isso. E que a Santíssima Virgem das Dores nos auxilie nesta luta contra o poder das trevas!

Bendita seja a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos salvou da morte eterna!



João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Na Gruta de Massabielle, em Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes e Santa
Bernadete Soubirous, na Gruta de
Massabielle

 “Eu sou a Imaculada Conceição”. Com estas palavras a Virgem Maria se identifica à Bernadete, mostrando que aqueles momentos em que esteve em contato com aquela doce senhora, antes desconhecida e ao mesmo tempo misteriosa, não foram momentos onde a fé se tornou confusa e muito menos a sua inocência se corrompeu. Mas naquele instante, Bernadete sentiu a doce sensação de um céu ali, improvisado pela presença da Mãe de Deus, a Senhora de Lourdes.

Nesse cenário não se fazia presente o luxo ou a exuberância que a Mãe de Deus merecia por ser tão grande a sua glória. Não estavam ali grandes poetas a entoarem lindas e harmônicas poesias, não se faziam presentes grandes músicos para diante de tão amável e dócil presença entoarem em seus acordes e melodias os louvores à Rainha do Céu. A Mãe de Deus não quis que fosse assim. Quis de uma maneira totalmente diferente. A maneira que Deus age em nossas vidas. De maneira suave, calma, tranquila, no vento que passava, nas folhas das árvores que se moviam, na relva verde presente em uma gruta, eis o cenário em que a Virgem se mostrou.

A jovem Bernadete, menina simples e singela foi contemplada com um maravilhoso presente. A Mãe de Deus a escolheu para ser portadora de sua mensagem de convite à conversão e à oração. Que grande missão foi esta. E apesar da descrença do povo, Bernadete não desanimou, persistiu na vontade da Senhora, não abandonando Aquela a quem a ela se tinha confiado. Bernadete foi a primeira de muitos que naquele local honrariam à Santíssima Trindade por intermédio de Maria Santíssima.

Nesta aparição, Maria transmite várias mensagens. Não apenas aquelas as quais disse para a jovem vidente. Mas mensagens que podemos perceber através de sua iconografia e da devoção a Ela prestada pela Igreja. A escolha do local, uma gruta simples como outra gruta qualquer, um local isolado. Talvez Maria quisesse nos lembrar de onde e como deu à luz a seu Filho Jesus Cristo, da maneira que Deus se manifesta na vida de todos nós.

A simplicidade é uma característica marcante nos relatos da presença de Maria nos Evangelhos e tal característica se faz presente também em suas aparições. Em Lourdes algo chama a nossa atenção. A Senhora aparece envolta em um manto branco, reluzente. Não há adornos, joias, enfeites, bordados, brocados. A vestimenta da Senhora é simples. Mesmo sendo Rainha, Maria dá-nos uma lição de pudor e modéstia. Apenas traz à cintura uma faixa azul que contrasta com o manto branco. Seria uma menção ao grandioso Céu, ponto de chegada de todos os cristãos convertidos. Maria nos quer junto a Ela, ao lado dela e de seu Filho na glória celeste. 

Possamos então, caros amigos leitores, não apenas ler a história de suas aparições em Lourdes com os olhos do corpo que apenas percebem os fatos, as datas, as personagens. Vamos assumir o propósito de enxergar além daquilo que está escrito, de imaginar o cenário, a conversa, o amor de Maria por todos nós seus filhos expressado no carinho que teve com Bernadete. Que nós que a temos como padroeira possamos seguir firmes em seu exemplo e no exemplo de Santa Bernadete e ter no coração o seguinte pensamento: Ela nos quer junto dela e de seu Filho Jesus.

Ó Maria concebida sem pecado! Rogai por nós que recorremos a Vós!




Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sebastião: exemplo de mártir

Imagem de São Sebastião em estilo barroco,
do Século XVIII, pertencente à antiga Igreja
Matriz de Resende Costa, demolida na
década de 30

O mês de Janeiro está terminando e com ele vamos refletindo os mistérios que a Igreja nos propôe. Neste mês temos a honra e a satisfação de celebrar um grande santo da Igreja, o glorioso mártir São Sebastião. Este homem é um grande exemplo de vivência do Evangelho e de testemunho de vida cristã, pois sendo mártir, deu sua vida em prol do anúncio do Evangelho e da conversão de pagãos ao Cristianismo ainda perseguido.

Sebastião foi um entre a multidão de cristãos que em sua época, por volta do ano 300 (séc. IV) foi perseguida por causa de sua profissão de fé em Jesus Cristo. Naqueles tempos, o Cristianismo ainda não era permitido e quem professasse publicamente sua fé correria o risco de ser preso e até morto.

A Igreja nunca viveu tempos de paz. Ora eram perseguições contra seus fiéis, ora graves heresias comprometiam o ensino da doutrina e a crença no Evangelho, ora a situação política da Europa interferia em sua organização. São Sebastião foi um homem consciente da realidade em que vivia, sabia dos perigos de ser cristão e de todas as consequências que isso o traria. Mesmo assim, diante de tudo e de todos, Sebastião não deixou que sufocassem seu amor e seu afeto pelo Cristo, pois sentia seu coração arder quando ouvia as palavras do Mestre.

A história deste grande Santo da Igreja é bem conhecida. São Sebastião viveu no século IV e serviu ao Império Romano como soldado. Devido à sua dedicação como soldado foi elevado ao cargo de capitão, comandando assim os outros soldados. Fontes históricas e da tradição da Igreja confirmam que Sebastião era um homem sensato, tranquilo e respeitoso para com todos. Às ocultas, São Sebastião ajudava os cristãos que eram presos e perseguidos pelo Imperador Diocleciano.

Por tanto bem que Sebastião prestava aos cristãos encarcerados causava ira e inveja em quem não tinha coragem de aceitar a força da Igreja nascente. Por causa disso, Sebastião foi entregue ao Imperador, e professando sua fé em Cristo, foi acusado de traição contra o Império. A mando do Imperador foi amarrado em uma árvore e transpassado por flechas. Este grande homem impulsionado pela graça de Deus sobreviveu a este atentado. Desmaiado, os soldados jogaram seu corpo em um buraco e eis que uma devota daquele lugar, Santa Irene, retirou seu corpo daquele local e, vendo que estava com vida, cuidou de suas feridas.

Passado algum tempo, Sebastião voltou ao palácio do Imperador e com coragem professou sua fé novamente diante do Imperador. Este, assustado por ver Sebastião vivo mandou que o açoitassem na sua frente para constatar que estava morto.

Eis o grande exemplo de coragem e destemor que São Sebastião nos dá. Apesar de sofrer as mais doloridas penas do martírio não se amedrontou e de maneira mais intensa reafirmou sua fé e seu amor para com o Cristo. Outra virtude que a tradição da Igreja reconhece em São Sebastião era a sua grande devoção para com a Virgem Maria.

O seu profundo respeito à Mãe de Deus e o seu amor inabalável a Cristo tornaram-no um cristão fervoroso e complacente para com os necessitados. A boa fama e conduta que São Sebastião tinha entre seus conhecidos, amigos e próximos era fruto de uma profunda experiência com o amor que aqueles primitivos cristãos tinham e que os motivavam a entregar suas vidas por algo maior e mais perfeito: a eternidade do céu.

O martírio é uma possibilidade e uma realidade. Quantas pessoas, assim como São Sebastião, doam suas vidas em prol do anúncio do Evangelho em terras que ainda não se despertaram para o amor de Cristo? Ou melhor, tranzendo para a nossa realidade, quantas pessoas no seio da Igreja sofrem espiritualmente uma perseguição da sociedade por serem verdadeiramente cristãos católicos comprometidos com os ensinamentos da Igreja e fiéis a ela?

Peçamos com bastante fervor o auxílio e a poderosa intercessão de São Sebastião para que assim como ele possamos vencer as barreiras do mundo e vitoriosos ingressarmos no Reino de Deus. Glorioso São Sebastião, livrai-nos da peste, da fome e da guerra e dai-nos forças para suportarmos com alegria e motivação todas as provações que a nós vierem.


Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Santa Mãe de Deus

Santa Maria, a Mater Dei; a Theotokos

Bem sabemos que a Virgem Maria tem títulos diferentes; Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Penha de França, Nossa Senhora das Graças e muitos outros nomes. Mas, a Igreja celebra um destes títulos no primeiro dia do ano, no dia da paz; Santa Maria, Mãe de Deus.

Desde a época em que os Apóstolos de Jesus viviam ainda aqui neste mundo a Igreja já acreditava que Maria era a Mãe de Deus. Mas sempre houve algumas pessoas que não aceitavam isto, pois diziam que se Nossa Senhora fosse a Mãe de Deus ela seria maior que o próprio Deus. Mas estavam errados.

Jesus poderia ter vindo a Terra da forma que quisesse, mas preferiu nascer de uma mulher, por ser extremamente humilde. Há uma oração muita antiga, da Liturgia das Horas, que diz: “Aquele a quem adoram o céu, a terra, o mar, o que governa o mundo, na Virgem vem morar. A lua, o sol e os astros o servem, sem cessar. Mas ele vem no seio da Virgem se ocultar.” E é isto mesmo, o Rei e Senhor do Universo quis morar no útero de uma mulher para dela nascer e depois nos salvar.

Quando Maria foi visitar Isabel, ao saber que esta sua prima havia engravidado de seu esposo Zacarias, embora velhos, ouviu a mãe de João Batista dizer: “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1, 43) Ora, os judeus não chamavam ninguém de Senhor, a não ser ao próprio Deus. Então, como podemos ver, antes mesmo de Cristo nascer Maria já era chamada de Mãe de Deus.

E a Igreja declarou este fato como um dogma; uma verdade de fé revelada por Deus. Isto aconteceu no ano 431, no Concílio (espécie de reunião entre o Papa e os Bispos, onde o Espírito Santo os inspira e mostra a eles quais são as verdades da fé católica) de Éfeso, cidade já destruída, na atual Turquia. O Papa que declarou este dogma foi Celestino I, que desmentiu Nestório. Ele pregava que Jesus eram duas pessoas diferentes: uma que era deus e uma que era homem, por isso falava que Maria era não Mãe de Jesus Deus, mas apenas Mãe de Jesus Homem. Mas isto é inaceitável para os católicos, pois Jesus é Homem e Deus em apenas uma pessoa, e se Maria é Mãe do Homem Jesus, logo é Mãe do deus Filho, o Deus Jesus.

É por isso que a Igreja chama Maria de “Mater Dei” (Mãe de Deus, em latim) ou “Theotokos” (Mãe de Deus, em grego). Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós!



João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sigamos os pastores de Belém

Pastores recebendo o anúncio do Anjo
Pois bem, já é Natal, uma das grandes festas realizadas e muito marcantes para nós católicos, pois celebramos o nascimento do nosso Salvador Jesus Cristo, “por que Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho unigênito para que todo aquele nele creia não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16).

Entretanto não damos à mínima; observamos que nesta época a cidade é toda iluminada, imagens de papai-noel em cada canto. São enfeites bonitos, mas prestamos pouca atenção numa das representações que é o presépio. Neste mesmo tempo observamos várias imagens e cada uma traz um significado, como a dos pastores. Mas afinal qual o significado dos pastores?

Os pastores eram pessoas pobres, talvez alguns até roubassem para sobreviver e por isso eram ignorados. Mas em certa noite, enquanto os pastores estavam em seu trabalho junto ao rebanho, ouviram várias vozes que saiam de nuvens que brilhavam como raio de luz, e a noite se tornou dia. E dizia o anjo “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o salvador, que é o Cristo” (Lc 2, 10-11). Após os Anjos terem se retirado, os pastores foram à procura do Menino Salvador. Assim os pastores representam as pessoas simples a quem Deus se revela e que deixam tudo (o rebanho) para irem ao encontro do Todo-Poderoso.

Por fim devemos não buscar o falso significado do Natal, dando mais valor ao Papai Noel e ao comércio que ao Menino Jesus, mas sim ao verdadeiro encanto, pois Deus nos enviou o seu filho, agora devemos agir como os pastores; procurá-Lo não em enfeites, mas no nosso coração, pois ele já está conosco há muito tempo e não sabemos disso, pois não ouvimos todas as mensagens enviadas para nós através de muitos anjos.



Mateus José Resende, conselheiro dos Marianinhos

sábado, 24 de dezembro de 2011

A olhar o presépio pequenino...

Maria com o Menino Jesus
Estamos nos aproximando do tempo do Natal. Tempo forte assim como o Advento. Neste tempo somos chamados a nos envolver com a alegria e a satisfação de termos recebido em nosso meio o nosso Salvador a tanto tempo prometido como sinal de salvação e redenção dos pecados da humanidade. Sendo assim, o Natal se torna um momento de alegria, de louvor e ação de graças a Deus que desceu dos céus e se encarnou por meio da Virgem Maria. Celebrando tal mistério ficamos admirados ao ver a lição que Cristo quer nos ensinar quando vem ao mundo no Natal.

Temos muitas tradições que herdamos de nossos pais e avós e que praticamos no tempo do Natal. A montagem de uma árvore de natal, os enfeites natalinos por toda a casa, as luzes brilhantes e coloridas, a preparação da ceia de natal são símbolos da festa natalina que marcam e caracterizam tal momento. Mas há um símbolo ou um costume que na sua simplicidade reluz mais do que a lâmpada mais forte e bonita, que ofusca todo o luxo dos enfeites e que nos sacia mais do que uma ceia farta. Talvez esse símbolo seja o último a ser colocado, ou muitas vezes, o primeiro a ser ignorado.

No Natal fico a imaginar que inspiração levou o grande santo da Igreja, São Francisco de Assis a elaborar tamanho tesouro e símbolo de fé que mostra realmente o sentido verdadeiro do Natal. O presépio não traz nenhum enfeite, nenhuma guirlanda, nenhum pisca-pisca colorido; não se vê uma mesa onde se tenha comida farta e troca de presentes. Vê-se ali o Cristo que desce de sua majestade divina, se faz homem no ventre de uma mulher e nasce, fora de casa, em local totalmente despreparado; um local que era repouso de animais. Nesse local o Menino Deus repousa tranquilo, sereno, a contemplar os primeiros momentos de vida neste mundo. A Sagrada Família está formada. Maria e José admiram aquela cena. Deus cumpriu a promessa que fez ao seu povo. Alguns animais ali presentes, irracionais, percebem algo diferente. Um visitante diferente chegou.

Assim como muitas tradições da Igreja tomaram novos rumos de interpretação nesses últimos anos, a essência do Natal foi esquecida. As pessoas olham o presépio e veem nele mais um enfeite para suas casas. O presépio é um tapa na nossa face, é um alerta que Jesus faz para desapegarmos de tudo o que não é necessário, essencial à nossa caminhada aqui neste mundo. O Rei dos reis poderia ter nascido em palácios, cercado de criados, de mimos, de conforto, mas preferiu nascer em um estábulo cercado de animais e de homens simples, de pastores que ganhavam sua vida na labuta do redil. O Rei dos reis poderia ter nascido em um berço de ouro, confortável, macio, mas quis nascer em uma manjedoura, uma espécie de coxo, recoberta de palha. O Rei dos reis poderia ter sido revestido com o mais rico e precioso manto, mas preferiu ser envolto em faixas.

Papa Bento XVI contemplando o presépio do Vaticano
Olhar para o presépio não é reparar somente na disposição das peças, nos enfeites, nas plantas. Olhamos para todos os lugares do presépio, mas na maioria das vezes, não fixamos o olhar dentro daquela gruta (ou casa), no culto que São José e Nossa Senhora prestam àquele menino recém-chegado ao mundo. O personagem principal do presépio que chega na noite do dia 24 de dezembro exige de nós mais atenção, pois ele tem para nós uma mensagem de amor, fraternidade e principalmente simplicidade. Há uma música em uma das missas de Natal que diz o seguinte e nos fala forte ao coração: “Simplicidade é mensagem de Natal. Deus é criança, nunca vimos coisa igual”![1]

Façamos então o propósito de nesse Natal contemplarmos meditativamente o presépio e ver nesse símbolo de fé a realidade de desapego que Cristo quer de nós para que não só valorizemos os enfeites e adornos natalinos, mas principalmente seu mistério de amor e doação por nós.

Um feliz e abençoado Natal a você caro leitor e a toda a sua família!

Salve Maria!


Seminarista Lucas Alerson de Sousa, conselheiro dos Marianinhos


[1] Missa de Natal “Povo de Deus Igreja Santa” do Padre José Cândido Silva.  Edições Paulinas, 1977.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Vamos todos a Belém

Belém, a cidade de Davi, onde nascerá o Messias
Vamos todos a Belém,
Vamos todos acorrer,
À vilazinha de Davi,
Antes do anoitecer.

Em um humilde e pobre curral
Onde o gado não para de mugir
Um mistério toma conta do lugar
Parece que lá uma luz há de surgir.

Mas vejam atentos meus irmãos:
Um homem com face bondosa
Guia um jumentinho em que monta
Uma jovem grávida e chorosa.

Hei, venham todos depressa!
Cheguemos logo à estrebaria
Pois o casal que aguarda entre as palhas
É José com sua esposa Maria!

Não é Belém a Casa do Pão?
Não é de lá que viria o Redentor?
Pois é Ele quem está para nascer
Entre os animais por causa do nosso desamor.

Mas corramos todos ao presépio
Com os animais vamos vigiar
E contemplar a humildade de Deus
Que com seu povo vem morar!

Ainda há tempo para chegarmos lá!
Enchamos nossos corações de alegria
Para adorarmos quando estiver
O Salvador nos braços de Maria!



João Marcelo Resende (12 anos), marianinho do Grupo Rainha da Paz (Bairro Nova Resende)

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quem é o verdadeiro dono do Natal mesmo?

Que o Natal volte a ser do Menino Jesus!

Sem dúvidas uma das datas mais aguardadas por todos, principalmente as crianças e adolescentes, é o dia 25 de dezembro, quando a Igreja Católica comera o Natal (Nascimento) de Jesus Cristo. Mas será que realmente aguardamos o Natal para celebrarmos o Menino Jesus?

Logo que passa o dia de finados (2/11) a tevê, o rádio, os jornais e outros meios de comunicação começam já a fazer propagandas para o Natal. Vedem de tudo para todos, com grandes descontos e outras facilidades. Fazem de tudo para que as pessoas comprem presentes para seus amigos e parentes. E há um personagem que aparece sempre: Papai Noel, com sua famosa barba branca, suas roupas vermelhas e, claro, um saco cheio de presentes.

Além de esquecerem o Menino Jesus e pensarem mais no papai Noel, algumas pessoas cometem outro pecado horrível: compram muitas coisas que não tem condição de pagar e acabam ficando devendo os donos das lojas, o que é roubo. Também fazem tanta comida que não dão conta de comer e acabam jogando tudo fora, enquanto há muitas crianças e adultos passando sem o que comer. O Papa bento XVI já disse que há fome no mundo pois muitos desperdiçam comida e não partilham com os necessitados. Isso nunca foi a vontade do Menino Jesus!

As casas e ficam todas enfeitadas e as lojas fecham até algumas horas mais tardes na semana que antecede o nascimento de Jesus. No dia 24, á noite, é tradição para muitas famílias transformarem seus jantares em grandiosas ceias, com comidas e bebidas caras e outras regalias.

Ora, é bom juntar a família para festejar e ganhar e receber presentes, ainda mais em clima de festa. O problema é que as pessoas lembram muito mais do Papai Noel e de seus presentes que do Menino Jesus, que nasceu pobre em um curral de Belém. Isso chega até ser um pecado gravíssimo! Devemos primeiro pensar no verdadeiro dono da festa: o Menino Jesus.

Preocupamos tanto com presentes, roupas novas, a ceia e nos esquecemos de preparar nosso coração para nosso Deus que se fez Homem e veio nos salvar. Muitas pessoas nem vão à missa no Natal, pois gastam todo seu tempo com festas. Isso deixa o Menino Jesus muito triste, pois se esquecem Dele, justo Ele que nunca deixa de pensar em cada um de nós e nos ajudar.

Essa alegria que temos ao desembrulhar presentes, enfeitar a casa e degustar comidas gostosas é pura ilusão; passa logo. A verdadeira alegria do Natal é ir à missa e agradecer a Jesus por Ele ter nascido um dia para nos salvar; é olhar para o presépio e ver como Ele era humilde, pois nasceu em um curral. Esse é o verdadeiro encanto do Natal.

Quando Jesus nasceu, os Magos do oriente lhe deram presentes. Vamos também nos presentear o Menino Jesus neste Natal? É fácil. Basta que deixemos de pensar mais no Papai Noel com seus presentes e nas ceias com seus desperdícios de comida e lembremos do verdadeiro dono da festa: o Menino Jesus, que está no presépio de braços abertos querendo nos abraçar e abençoar.

Obs.: Poucas pessoas lembrarão de Cristo nestas festas, então indique este texto para seus amigos. Não tenha vergonha de falar do Menino Jesus, pois Ele não teve vergonha de nascer em um curral para nos salvar.



João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Procuremos acreditar sempre no Senhor!

Anjo Gabriel anunciando a
Zacarias que este teria um filho
chamado João, com sua esposa
Isabel,embora idosos
Segundo o Evangelho de São Lucas, quando Zacarias foi oferecer no Templo incenso em nome de seu povo, um Anjo do Senhor lhe apareceu e disse que embora velho, teria um filho com sua esposa Isabel, a quem chamariam João. Naturalmente, ao ver o mensageiro do Senhor, Zacarias ficou espantado, mas esse lhe disse para nada temer. Mas O velho sacerdote não acreditou no Anjo e por isso ficou mudo até que tudo se cumprisse, no dia da circuncisão do menino, uma espécie de batismo dos judeus.

Talvez seja esta uma situação muito freqüente em nossas vidas. Muitas vezes, quando o Senhor nos confia certas missões não cremos que somos capazes de cumprir aquilo que Ele nos pede. O medo é natural do ser humano; até Cristo teve medo na noite em que ia ser entregue a seus assassinos. Mas não devemos temer nada, pois o próprio Deus nos conduz pela mão.

Nunca é demais lembrar aquele episódio em que Jesus surgiu andando sobre as águas do Mar da Galileia. Os apóstolos, que estavam na barca, já na alta madrugada, pensaram estar vendo um fantasma, mas o Senhor logo lhes deu a conhecer. Pedro até chegou a pedir a Jesus que Este lhe deixasse ir a seu encontro sobre as águas. Jesus permitiu e Pedro foi, mesmo duvidando, e começou a afundar.

Cristo salvando Pedro das águas
Este episódio é muito simbólico. Muitas vezes pedimos algo ao Senhor, mas não confiamos que Ele possa nos ajudar e acabamos afundando em nossos projetos. Mas Pedro ao suplica a Jesus que lhe salve, e o senhor lhe estendeu a mão, segurando-lhe e perguntou: “Homem de pouca fé, por que você duvidou?”

Cristo ainda hoje nos faz esta pergunta: por que duvidamos Dele? Será que não conseguimos crer em Deus? Pedro, depois disso, quando muitos abandonavam Cristo por Ele falar de um modo duro, mostrou que aprendeu a crer e Lhe perguntou que se o abandonasse não haveria outro em quem poderia crer. E quanto a nós, será que cremos em outras pessoas mais que em Jesus?

O Natal já se aproxima e fica aqui um convite. Que tal se deixarmos um pouco de lado aquilo que falam os apresentadores de tevê que não crêem no Senhor, os nossos colegas mal-intencionados e outras pessoas que não buscam a Deus e começarmos a ouvir mais nossos pais, nossos verdadeiros amigos e principalmente Nosso Senhor? E que sempre acreditemos que o Senhor nos ajuda quando precisamos e o invocamos com fé.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Bendita seja a Imaculada Conceição de Maria Santíssima!

Maria, a Senhora da Imaculada Conceição
Quando pensamos em Igreja no mês de Dezembro logo nos vem a mente o Natal do Senhor Jesus, no dia 25. Mas há uma outra data muito importante neste mês para nós católicos, ainda mais para os membros de uma Congregação Mariana: o dia 8, quando celebramos a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. Mas o que é isto, Imaculada Conceição?

Desde cedo aprendemos que quando Deus criou o mundo criou também Adão e Eva e os puseram no Jardim do Édem, onde podiam comer qualquer fruto, menos o fruto do conhecimento. A serpente então seduziu Eva que por sua vez seduziu Adão e os dois desobedeceram a Deus. Segundo as Sagradas Escrituras este foi o primeiro pecado; a desobediência. Como desobedeceram ao Criador, haviam de morrer, pois o salário do pecado é a morte (cf. Rm 6, 23)

É claro que esta história narrada no livro do Genêsis não aconteceu exatamente assim. Adão significa primeiro homem e Eva quer dizer primeira mulher. A pessoa que escreveu o livro queria demonstrar como o pecado entrou na história, e usou esta forma para narrar esta verdade. Mas o que interessa nisso tudo é que o pecado infelizmente começou a existir.

Por herança de Adão, todos os homens e mulheres nascem com o Pecado Original, pecado que nos faz pecar mais vezes, e consequentemente nos faz morrer. Mas Deus quis que seu povo vivesse junto Dele no Céu e para apagar aquela culpa de Adão e Eva deveria enviar Seu Filho Jesus para "abrir as portas do Paraíso" para todos nós, morrendo numa cruz, Ele que era inocente.

Mas como Deus poderia deixar seu Filho nascer de uma mulher pecadora? Ora, Jesus é deus pois é o Filho de Deus Pai, mas é homem pois também é filho de uma mulher; viveu em um útero antes de nascer e lá seu corpo carnal foi formado. Então é mais que natural que Deus preservasse do pecado original a mulher escolhida para ser a Mãe de Jesus, pois assim Cristo não moraria em um útero impuro e sua carne não seria proveniente de uma carne contaminada pelo pecado.

Neste contexto, Deus Pai quis que a filha de Joaquim e Ana, Maria, não tivesse o pecado original, e - lembrando - não tendo o pecado original, jamais cometeria qualquer outro pecado, e não teria uma morte como a nossa, pois como já disse São Paulo e repito mais uma vez neste texto, a morte é o salário que recebemos por pecarmos.

Imaculada quer dizer limpa, pura, e Conceição é o mesmo que concepção; o momento em que a pessoa é criada, "feita" por seus pais. Sendo assim, no dia 8/12 a Igreja celebra isto, que Maria foi feita sem o pecado original. Portanto celebramos o dia em que Deus Pai começou a salvar seu povo.

Por isso é que as imagens e pinturas da Imaculada Conceição geralmente representam Maria pisando em cima de uma serpente com uma fruta na boca, que simboliza Satanás trazendo o pecado ao mundo. Se o pecado de Adão nos fechou as portas para Deus, Cristo nos abriu, sendo assim o novo Adão e Maria é, portanto, a nova Eva. A antiga Eva pecou por desobediência, já a nova Eva, Maria, foi totalmente obediente a Deus, por isso sempre há muitos anjos na imagem da Imaculada, significando que deus está sempre com ela.

Na maioria das cidades o dia 8/12 não é considerado feriado, mas a Santa Igreja Católica ainda pede que seus fieis respeitem este dia como santo, assim como respeitamos os domingos; devemos ir à missa, evitar trabalhar e devemos tirar este dia para descansar e ter um momento de lazer com a família. Contudo, como alguns governantes tiraram este feriado, as pessoas que são empregadas em algum serviço e não conseguiram folga nesta data podem ser perdoadas por Deus, mas se o seu horário de trabalho permitir, ainda devem ir à missa.

Após esta explicação sobre a Imaculada Conceição de Maria, que a Igreja sempre creu que fosse verdade, se torna impossível não amar mais ainda nossa Mãe do Céu.

Viva a Imaculada Conceição de Maria Santíssima!


João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

São Roque Gonzales e seus companheiros, mártires no Rio Grande do Sul

Santo Afonso Rodrigues, São Roque
Gonzales e São João del Castilho
No dia 19 de Novembro a Igreja Católica celebra três santos muito importantes para a história do Cristianismo no Brasil: São Roque Gonzales, um sacerdote jesuíta (Companhia de Jesus), nascido em Assunção, no Paraguai, em 1576, e seus companheiros: São João del Castilho e Santo Afonso Rodrigues.

Sobre as suas vidas muito pouco sabemos, pela falta de registros históricos, contudo o que conhecemos sobre estes santos os fazem serem muito respeitados. Nascido em família rica, Roque desde cedo se dedicou aos estudos e aprendeu línguas nativas e foi ordenado sacerdote em 1599. Em 1619 foi levar o nome de Jesus para onde hoje é o Rio Grande do Sul, cativando ali a simpatia dos habitantes do lugar. Pe. Roque Fundou naquela região inúmeras comunidades religiosas, de índios convertidos, que chamavam de reduções ou missões.

Mas como bem se sabe, quanto mais se agrada a Deus, mais difícil se torna nossa missão. Muitos nativos contrários a fé católica não gostavam do trabalho do Pe. Roque e de seus dois companheiros, que haviam vindo da Espanha. O cacique Nheçu, um feiticeiro que era muito poderoso na região onde hoje se encontra a cidade chamada Roque Gonzales, liderou uma revolta contra os padres Roque e Afonso. Os índios estavam tão furiosos que deram um golpe com um machado de pedra na cabeça de Pe. Roque fazendo com que sua cabeça se desgarrasse do seu corpo e logo após mataram Pe. Afonso, isso na redução de Caaró, no dia 15 de Novembro de 1628. Em seguida queimaram os cadáveres dos dois sacerdotes. Dois dias depois assassinaram também o Pe. João del Castilho, após muito o torturarem, em uma aldeia vizinha.

Havia ainda em Caaró um índio que estava sendo preparado para ser batizado, chamado Cacique Adauto. Há quem diga que este nativo também foi martirizado, por ter sido contra a morte dos padres. Pode ser que um dia seja elevado a glória dos altares, mas ao que parece há falta de provas sobre seu caso.

Estes grandes mártires do catolicismo no Brasil foram beatificados por Pio XI em 1934 e canonizados por João Paulo II, em sua visita ao Paraguai em 1988.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Congados: manifestação de fé do povo simples de Minas Gerais

Congado
No primeiro fim de semana de Novembro Resende Costa para completamente para celebrar uma de suas devoções mais populares: Nossa Senhora do Rosário. E quando pensamos nesta festa que tanto encanta quem dela participa, é impossível que não nos lembremos dos Congados. Mas o que são e como surgiram estas bandas?

Como bem sabemos, no período em que o Brasil era colônia de Portugal, muitos negros foram capturados na África para serem escravizados aqui na América. Ganhavam o famoso “PPP”: Pano para servirem como vestimentas, Pão para não morrerem de fome e Pau nas costas, de tanto que apanhavam dos patrões.

Conta a tradição mineira que certa vez os portugueses capturaram o Imperador do Congo (um país da África) para ser escravo na antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto/MG. O antigo Rei, chamado Galanga, perdeu sua mulher e seus filhos na viagem para o Brasil, pois as condições do navio eram muito ruins. Francisco, como começou a ser chamado no Brasil o imperador Galanga, trabalhou muito e conseguiu juntar um dinheirinho para comprar sua liberdade e a de alguns familiares. Após ser liberto, entrou em uma igreja para orar, porém sua felicidade era tamanha que apenas conseguiu dançar em frente a imagem de Nossa Senhora do Rosário. Como ajudara a muitos a sair da escravidão ficou conhecido como Chico-Rei.

Após conseguir comprar a liberdade de todos os escravos que viviam em seu país na África, Chico-Rei comprou a mina de ouro Escandideira e casou-se novamente, dando a seu povo uma nova rainha, o que aumentou muito seu prestígio. Era tão respeitado que chegou a formar um bairro com seu povo em Vila Rica.

Com o dinheiro adquirido na venda do ouro de sua mina, o rei mandou construir em Vila Rica a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e organizou as irmandades de Nossa Senhora do Rosário e de Santa Efigênia. Nesta igreja os homens pretos podiam prestar seus cultos a Deus, já que eram proibidos de entrarem nas igrejas construídas por brancos ricos. Um detalhe interessante é que os altares desta igreja foram feitos pelo grande Aleijadinho.

Quando iam celebrar as festas de Nossa Senhora do Rosário em Outubro e dos Reis Magos em Janeiro, os negros iam sempre até a igreja momentos antes da missa batendo em tambores, pandeiros e outros instrumentos, festejando sua libertação, agradecendo a intercessão de Nossa Senhora do Rosário, de quem eram devotos. Chico-Rei e a sua nova esposa iam sempre atrás dos ex-escravos, que muito dançavam de alegria, pois era a forma que achavam para louvarem ao Senhor, vestidos com roupas muito bem decoradas, para agradecer a Senhora do Rosário tudo o que ela fazia por seu povo. As negras que trabalhavam nas minas levavam, dançando alegremente, pequenas pepitas de ouro escondidos em seus cabelos e deixavam na igreja, para que mais escravos fossem libertos.

A partir destes acontecimentos surgiram as tradições dos Congados, como ainda hoje há nas festas em honra a Nossa Senhora do Rosário. Muito mais que algo cultural, o Congado é uma forma das pessoas simples, algumas que mal sabem ler, manifestar sua imensa satisfação a Nossa Senhora do Rosário por todas as graças que Ela alcança de Deus.

Não temos, portanto, o direito de acabar com esta manifestação de fé do nosso povo. É claro que entre os Congados há muitos abusos. Alguns de seus membros muitas vezes entram bêbados nas igrejas, algumas das letras de suas músicas falam de deuses falsos, etc. Estes e outros erros existem e são gravíssimos. O que temos que fazer é tentar acabar com estas coisas erradas, sem querer acabar com esta demonstração de fé do povo simples, pois é importante lembrar que se não agradasse a Nossa Senhora, não estaria de pé a quase 300 anos.

E o mais importante que nunca devemos esquecer: Congado não é Bloco de Carnaval; é uma forma do povo simples e dos negros demonstrarem seu carinho e afeto a Virgem Maria.


João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

“Nem a vida, nem a morte, vão nos separar de Deus...”

Representação de uma missa pelas
almas do purgatório
Neste dia 2 de Novembro a Igreja Católica celebra a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Mas porque celebrar quem já faleceu? À primeira vista pode parecer estranho, mas é nossa tarefa também rezar pelos mortos, para que obtenham de Deus a salvação de suas almas, uma vez que estes estão no purgatório se purificando para entrarem no Reino do Céu.

Essa comemoração dos fiéis defuntos, popularmente chamada de Dia de Finados é um momento para refletirmos sobre a morte, a perda de pessoas queridas, sejam elas nossos pais, amigos e parentes e também sobre a nossa própria morte que com certeza um dia chegará.

A morte não deve ser motivo de tristeza, muito pelo contrário. Quando pessoas próximas a nós morrem, aparentemente ficamos tristes, mas ficamos por saber que nunca mais veremos aquela pessoa querida, nunca mais conversaremos com ela. A saudade é algo que não podemos esconder de nós mesmos, pois é ela que fará com que nunca esqueçamos daquela pessoa amada. A tristeza não tem lugar em nosso coração porque temos exemplos que fazem com que nós esperemos confiantes no Senhor. A Ressurreição de Jesus e a glorificação da Virgem Maria nos encorajam a enfrentarmos destemidamente esse processo da morte para alcançarmos a felicidade eterna no Céu.

Deus não nos quer tristes e abatidos. Ele quer o nosso bem e a nossa felicidade. Lembrar dos nossos irmãos falecidos faz com que nós entremos em plena comunhão com a Igreja que não existe somente aqui na terra, mas também no purgatório. A Igreja Padecente, como é chamada, precisa de orações e de indulgências para que atinja a perfeição e se torne digna de entrar na glória do Céu.

Neste dia, então, não tenhamos medo de entrar em um cemitério, mas tenhamos a coragem e a determinação de rezarmos por aqueles que um dia nos antecederam neste chão e de prestar-lhes a devida homenagem enquanto cristãos que são. 

“Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno. E brilhe para eles a vossa luz”.


Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Nada de rivalidades na Igreja!

Todos os santos trabalharam sempre
unidos, sem nenhuma rivalidade
Nos últimos tempos a Igreja tem enfrentado um grande problema: a rivalidade de muitos de seus filhos. A cada dia que passa há um aumento no número de inimizades devido à concorrência promovida por pessoas que não se preocupam com Deus, e sim com suas vontades. Isto é lamentável, pois a vontade de Deus é que todos caminhem juntos rumo ao Reino dos Céus.

Os exemplos desta situação trágica são muitos: corais que competem para ver qual canta melhor, associações de católicos disputando para ver qual tem mais participantes ativos, zeladores de capelas tentando arrecadar mais dinheiro em suas festas que as das outras capelas e assim por diante. Isso acontece pois estas pessoas, que dizem ser seguidoras de Jesus, não tem humildade no coração e querem sempre ser melhores que as outras; querem estar sempre por cima dos irmãos. Tais pessoas vêem a Igreja não como o meio de se chegar a Deus, e sim como uma espécie de comitê organizadora de competições. Lamentável!

Cristo sempre deixou claro que o que vale não é o quanto se faz, e sim como se faz; o que importa então é a intenção do coração. Devemos sempre ter um espírito de fraternidade; irmandade, isto é, caminhar todos juntos guiados pelo Papa, pois é disso que precisa a Igreja para cumprir sua missão: salvar as almas das pessoas.

Nunca podemos achar que somos melhores que os nossos irmãos, mesmo aqueles que sabemos que não fazem o que o Papa e a Igreja pedem. Devemos cumprir nossa missão na Igreja preocupados em agradar a Deus, e não em fazer mais que os outros, pois esta é a verdadeira vontade do Senhor.

Nunca podemos desprezar o trabalho dos outros grupos e associações, pois todos os que trabalham pensando em Deus O agrada muito. Por isso não temos o direito de querer assumir algum serviço que já seja desenvolvido por outros. Por exemplo: um coral nunca deve querer cantar em missas há tempos cantadas por outro coral ou ainda um catequista nunca deve querer catequizar no lugar de outro que sempre o fez.

Devemos, pois, trabalhar sempre juntos, assim como fizeram todos os santos, sem nenhuma rivalidade, pois na Igreja há serviço para todos, e este serviço não é pouco. Se sempre nos unirmos e fizermos aquilo que quer o Papa, com certeza levaremos muitas pessoas para o Céu, e lá estaremos junto com Nossa Senhora e os demais santos.


João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pelo Rosário, com Maria, chegaremos a Jesus!

Imagem de Nossa Senhora do Rosário
esculpida pelo "Mestre de Lagoa Dourada"
e venerada em Resende Costa
“Quando nas mãos tem um Rosário, orando à minha Mãe do céu, lá do sublime Santuário, ela intercede junto a Deus”.

Ao ouvir esta música cantada em nossa cidade principalmente neste mês de outubro, me recordo de uma bela devoção que o povo católico tem a Nossa Senhora. A Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora do Rosário.

Precisamente neste dia 7 de outubro, a Igreja Católica no mundo inteiro celebra a memória de Nossa Senhora do Rosário. É Maria que traz em seus braços o Terço, objeto de contemplação e oração e principalmente, de devoção filial que nós devemos ter para com ela. Em seus braços carrega o seu Filho Jesus, mostrando que sua missão é de levar e apresentar Cristo aos homens.

O título de Nossa Senhora do Rosário é bem difundido no mundo, principalmente aqui no Brasil, onde em tempos mais antigos, sua devoção se espalhara entre os negros, fazendo com que esses dedicassem a Nossa Senhora uma grande quantidade de templos. Se prestarmos atenção notaremos que em quase todas as cidades de Minas Gerais e de outros estados do Brasil tem-se uma igreja dedicada à Virgem do Rosário.

O Terço à primeira vista pode parecer-nos uma oração tediante, longa e repetitiva, mas quando compreendermos o que de fato acontece quando o rezamos, ficaremos maravilhados com tão grande beleza e louvor à Mãe de Deus. No terço não apenas louvamos Maria, mas principalmente contemplamos nos mistérios a vida inteira de Jesus, desde a Anunciação do Anjo à Maria (1º mistério Gozozo) até sua Ascensão (2º mistério Glorioso), além de contemplarmos a glória de Maria no Céu (4ª e 5º mistérios Gloriosos).

Uma antiga tradição da Igreja nos ensina que a palavra “Rosário” significa “Coroa de Rosas”, ou seja, ao rezarmos o terço, em cada Ave Maria, estaremos depositando aos pés de Nossa Senhora uma rosa demonstrando todo o nosso amor, carinho e afeto para com a Mãe de Deus.

O mês de Outubro inteiro é dedicado à Virgem Maria, a Mãe do Rosário. Foi o grande papa Leão XIII quem mandou que na Igreja se celebrasse com bastante alegria este mês em louvor à Maria e a seu Filho Jesus.

Termino esta simples reflexão a respeito da Virgem Mãe do Rosário com uma prece. Peço a você caro leitor que neste mês se disponha a devotar a Maria uma “Coroa de Rosas”, um terço sempre que puder nas intenções da Igreja, do Papa, e de todas as famílias.

“Santíssima Virgem do Rosário, neste mês queremos devotar-lhe todo o nosso amor e admiração. Fazei que pela meditação do vosso Santíssimo Rosário possamos contemplar face a face o mistério de Cristo vivo, morto e ressuscitado”!


Seminarista Lucas Alerson de Souza, Conselheiro dos Marianinhos

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Santo de Assis


São Francisco de Assis orando
Sem dúvida alguma um dos santos mais conhecidos da Igreja Católica é São Francisco de Assis. Filho de um nobre comerciante de tecidos, nasceu dia 5 de julho de 1182, em Assis na Itália. Quando jovem, Francisco não era uma pessoa muito religiosa, deixando se levar pelos pecados que o mundo oferece. Após combater uma guerra, no entanto, ferido que estava, se retirou em uma torre para se recuperar fisicamente e ali também pode se recuperar espiritualmente, vivendo uma sincera conversão.

Na época de Francisco muitos padres e bispos viviam no pecado. Suas vidas eram repletas de luxo, ganância e gula, dificultando assim que os fieis encontrassem a Jesus Cristo. Porém Francisco encontrou o Senhor nas suas criaturas; na água que corre no riacho e sacia a sede, nos pássaros que voam pelos céus e assim por diante. Chamava cada criatura de irmão e irmã.

Juntamente com alguns amigos, Francisco pediu ao Papa Inocêncio III autorização para fundar uma nova ordem religiosa: a Ordem Franciscana. Estes frades deveriam ser conhecidos em todos os lugares pela sua pobreza, pois nada deveriam possuir, além do amor a Cristo. Santa Clara seguiu seu exemplo e fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, as Damas da Pobreza, conhecidas como Clarissas. Um grande amigo de São Francisco, que também se tornou frei franciscano foi Santo Antônio de Pádua. Na época muitos achavam que a Igreja iria acabar, mas como ela foi fundada por Jesus, o Espírito Santo moveu Francisco para fundar a Ordem, que de certo modo “segurou” a Igreja, dando a ela muitos santos e santas.

Um episódio muito conhecido da vida do santo de Assis é aquele em que um lobo ameaçava atacar a cidade de Gubbio, o que fez com que os homens dali quisessem matá-lo. Sentindo compaixão do pobre animal, Francisco foi até a mata e lhe ordenou que parasse de atacar as pessoas e seus animais, em nome de Cristo, e receberia em troca o alimento necessário para sua sobrevivência. O lobo simplesmente concordou e o povo lhe tratava como se fosse um cão de estimação.

Também foi Francisco o primeiro a montar um presépio. O fez para explicar melhor aos fieis como aconteceu o nascimento de Jesus, usando animais e pessoas de verdade, em um curral.

No dia 14 de dezembro de 1224, quando orava no Monte Alvernia recebeu os estigmas de Cristo (as chagas de Jesus), que carregou com alegria até a morte, a quem chamava de irmã. Sentindo que o fim de sua vida estava próximo, despediu de Clara e seus outros amigos e leu muitas passagens do Evangelho, vindo a falecer no pôr-do-sol do dia 3 de outubro de 1226, sendo canonizado (declarado santo) apenas dois anos depois.

A vida deste santo é um verdadeiro exemplo de humildade e serviço a Igreja, mas não podemos nos lembrar de São Francisco de Assis apenas o relacionando a animais e plantas, pois estes não possuem almas. Apesar de o homem ter a obrigação de cuidar na natureza, esta foi criada por Deus para lhe servir. Nosso querido santo não se admirava com uma flor ou com uma minhoca: se admirava com o poder de Deus, que os criara, louvando assim a Deus. Como disse o Papa Bento XVI devemos cuidar primeiro das nossas almas, e posteriormente nos preocupar com a natureza, como fez São Francisco de Assis e todos os outros santos.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus: últimos anos de vida no Carmelo

Santa Teresinha, após se tornar irmã
Depois de conhecermos os fatos principais que ocorreram durante a infância, adolescência e juventude da santinha de Lisieux, que fora marianinha e posteriormente congregada, vamos agora ver como foram os últimos anos de vida de Santa Teresinha.

Vimos na última postagem que por cuidar de uma irmã que padecia de tuberculose, nossa santinha acabou contraindo a doença, chegando a vomitar muito sangue e sofrendo calada. Porém, mesmo muito enfraquecida, Teresa não rejeitava trabalho algum que lhe dessem, de modo que as irmãs não percebiam que tinha a doença, quando foi descoberta já era tarde. Mas sempre oferecia seus sofrimentos a Deus, na intenção de ajudar as missões católicas em outros países, sendo por isso considerada a padroeira das missões, mesmo sem nunca sair do Carmelo.

Mas Teresa, querendo chegar a perfeição, percebia que suas orações e penitências eram fracas. Após ouvir maravilhada a pregação de um padre em 1894, decide adotar aquilo que chamou de “Pequena Via”, que consistia em fazer pequenos sacrifícios e se entregar ao amor de Jesus como uma criancinha que se entrega aos braços de seu pai. Ela seria então a menor das filhas de Deus.

A cada dia sua doença piorava; seus pulmões ficavam a cada dia mais cheio de sangue, dificultando sua respiração. No dia 30 de setembro de 1897 sua saúde se agravou ainda mais e de manhã chegou a dizer às freiras que lhe rodeavam: “eu não me arrependo de ter me abandonado ao amor”. Já a tarde, cada vez pior, disse a madre superiora, sua irmã: “Farei cair uma chuva de rosas sobre a Terra”, se referindo a quantidade de milagres que alcançaria de deus para os seus devotos. Quanto aos milagres também disse: “Passarei o meu Céu fazendo o bem na Terra”. Vendo que estava Teresa a morrer, as irmãs chamaram o padre para ministra-lhe a Unção dos Enfermos e dar-lhe a última Comunhão. A tuberculose é uma doença que agravada não permite que as pessoas ingiram qualquer coisa, sendo assim Teresa não conseguiu sequer comungar, visto a gravidade de sua doença.
Santa Teresinha dias antes de sua morte, já gravemente
acometida pela tuberculose

A tardezinha Teresa, que passava um mal enorme, levantou ficando como que sentada, e estando seu rosto como que radiante de paz e serenidade disse: “Eu te amo Jesus, meu bem-amado”, comprovando que via o Senhor em sua frente momentos antes de morrer. Dizendo estas últimas palavras, aos 24 anos, entrou Teresa para a glória celeste.

Antes de morrer, quando já estava gravemente enferma, Teresa começou a escrever um diário contando os principais fatos de sua vida, a pedido de sua irmã Pauline. Após a sua morte, ao lerem o diário, as irmãs ficaram maravilhadas com os textos e decidiram publicar o diário, que chamaram “História de uma alma”. Este livro é uma das biografias mais lidas do mundo. Também compôs 54 poemas.

O Papa  Pio XI a declarou santa no dia 17 de maio de 1925 e no dia 19 de outubro de 1997 João Paulo II a declarou Doutora da Igreja, título que recebem aqueles santos que ajudaram a Igreja a compreender os mistérios de Deus. Hoje Santa Teresinha é ao lado se Santa Joana d’Arc a padroeira da França.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos.


Santa Teresinha preparando
a celebração de uma missa
Santa Teresinha morta