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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sebastião: exemplo de mártir

Imagem de São Sebastião em estilo barroco,
do Século XVIII, pertencente à antiga Igreja
Matriz de Resende Costa, demolida na
década de 30

O mês de Janeiro está terminando e com ele vamos refletindo os mistérios que a Igreja nos propôe. Neste mês temos a honra e a satisfação de celebrar um grande santo da Igreja, o glorioso mártir São Sebastião. Este homem é um grande exemplo de vivência do Evangelho e de testemunho de vida cristã, pois sendo mártir, deu sua vida em prol do anúncio do Evangelho e da conversão de pagãos ao Cristianismo ainda perseguido.

Sebastião foi um entre a multidão de cristãos que em sua época, por volta do ano 300 (séc. IV) foi perseguida por causa de sua profissão de fé em Jesus Cristo. Naqueles tempos, o Cristianismo ainda não era permitido e quem professasse publicamente sua fé correria o risco de ser preso e até morto.

A Igreja nunca viveu tempos de paz. Ora eram perseguições contra seus fiéis, ora graves heresias comprometiam o ensino da doutrina e a crença no Evangelho, ora a situação política da Europa interferia em sua organização. São Sebastião foi um homem consciente da realidade em que vivia, sabia dos perigos de ser cristão e de todas as consequências que isso o traria. Mesmo assim, diante de tudo e de todos, Sebastião não deixou que sufocassem seu amor e seu afeto pelo Cristo, pois sentia seu coração arder quando ouvia as palavras do Mestre.

A história deste grande Santo da Igreja é bem conhecida. São Sebastião viveu no século IV e serviu ao Império Romano como soldado. Devido à sua dedicação como soldado foi elevado ao cargo de capitão, comandando assim os outros soldados. Fontes históricas e da tradição da Igreja confirmam que Sebastião era um homem sensato, tranquilo e respeitoso para com todos. Às ocultas, São Sebastião ajudava os cristãos que eram presos e perseguidos pelo Imperador Diocleciano.

Por tanto bem que Sebastião prestava aos cristãos encarcerados causava ira e inveja em quem não tinha coragem de aceitar a força da Igreja nascente. Por causa disso, Sebastião foi entregue ao Imperador, e professando sua fé em Cristo, foi acusado de traição contra o Império. A mando do Imperador foi amarrado em uma árvore e transpassado por flechas. Este grande homem impulsionado pela graça de Deus sobreviveu a este atentado. Desmaiado, os soldados jogaram seu corpo em um buraco e eis que uma devota daquele lugar, Santa Irene, retirou seu corpo daquele local e, vendo que estava com vida, cuidou de suas feridas.

Passado algum tempo, Sebastião voltou ao palácio do Imperador e com coragem professou sua fé novamente diante do Imperador. Este, assustado por ver Sebastião vivo mandou que o açoitassem na sua frente para constatar que estava morto.

Eis o grande exemplo de coragem e destemor que São Sebastião nos dá. Apesar de sofrer as mais doloridas penas do martírio não se amedrontou e de maneira mais intensa reafirmou sua fé e seu amor para com o Cristo. Outra virtude que a tradição da Igreja reconhece em São Sebastião era a sua grande devoção para com a Virgem Maria.

O seu profundo respeito à Mãe de Deus e o seu amor inabalável a Cristo tornaram-no um cristão fervoroso e complacente para com os necessitados. A boa fama e conduta que São Sebastião tinha entre seus conhecidos, amigos e próximos era fruto de uma profunda experiência com o amor que aqueles primitivos cristãos tinham e que os motivavam a entregar suas vidas por algo maior e mais perfeito: a eternidade do céu.

O martírio é uma possibilidade e uma realidade. Quantas pessoas, assim como São Sebastião, doam suas vidas em prol do anúncio do Evangelho em terras que ainda não se despertaram para o amor de Cristo? Ou melhor, tranzendo para a nossa realidade, quantas pessoas no seio da Igreja sofrem espiritualmente uma perseguição da sociedade por serem verdadeiramente cristãos católicos comprometidos com os ensinamentos da Igreja e fiéis a ela?

Peçamos com bastante fervor o auxílio e a poderosa intercessão de São Sebastião para que assim como ele possamos vencer as barreiras do mundo e vitoriosos ingressarmos no Reino de Deus. Glorioso São Sebastião, livrai-nos da peste, da fome e da guerra e dai-nos forças para suportarmos com alegria e motivação todas as provações que a nós vierem.


Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sigamos os pastores de Belém

Pastores recebendo o anúncio do Anjo
Pois bem, já é Natal, uma das grandes festas realizadas e muito marcantes para nós católicos, pois celebramos o nascimento do nosso Salvador Jesus Cristo, “por que Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho unigênito para que todo aquele nele creia não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16).

Entretanto não damos à mínima; observamos que nesta época a cidade é toda iluminada, imagens de papai-noel em cada canto. São enfeites bonitos, mas prestamos pouca atenção numa das representações que é o presépio. Neste mesmo tempo observamos várias imagens e cada uma traz um significado, como a dos pastores. Mas afinal qual o significado dos pastores?

Os pastores eram pessoas pobres, talvez alguns até roubassem para sobreviver e por isso eram ignorados. Mas em certa noite, enquanto os pastores estavam em seu trabalho junto ao rebanho, ouviram várias vozes que saiam de nuvens que brilhavam como raio de luz, e a noite se tornou dia. E dizia o anjo “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o salvador, que é o Cristo” (Lc 2, 10-11). Após os Anjos terem se retirado, os pastores foram à procura do Menino Salvador. Assim os pastores representam as pessoas simples a quem Deus se revela e que deixam tudo (o rebanho) para irem ao encontro do Todo-Poderoso.

Por fim devemos não buscar o falso significado do Natal, dando mais valor ao Papai Noel e ao comércio que ao Menino Jesus, mas sim ao verdadeiro encanto, pois Deus nos enviou o seu filho, agora devemos agir como os pastores; procurá-Lo não em enfeites, mas no nosso coração, pois ele já está conosco há muito tempo e não sabemos disso, pois não ouvimos todas as mensagens enviadas para nós através de muitos anjos.



Mateus José Resende, conselheiro dos Marianinhos

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

São Roque Gonzales e seus companheiros, mártires no Rio Grande do Sul

Santo Afonso Rodrigues, São Roque
Gonzales e São João del Castilho
No dia 19 de Novembro a Igreja Católica celebra três santos muito importantes para a história do Cristianismo no Brasil: São Roque Gonzales, um sacerdote jesuíta (Companhia de Jesus), nascido em Assunção, no Paraguai, em 1576, e seus companheiros: São João del Castilho e Santo Afonso Rodrigues.

Sobre as suas vidas muito pouco sabemos, pela falta de registros históricos, contudo o que conhecemos sobre estes santos os fazem serem muito respeitados. Nascido em família rica, Roque desde cedo se dedicou aos estudos e aprendeu línguas nativas e foi ordenado sacerdote em 1599. Em 1619 foi levar o nome de Jesus para onde hoje é o Rio Grande do Sul, cativando ali a simpatia dos habitantes do lugar. Pe. Roque Fundou naquela região inúmeras comunidades religiosas, de índios convertidos, que chamavam de reduções ou missões.

Mas como bem se sabe, quanto mais se agrada a Deus, mais difícil se torna nossa missão. Muitos nativos contrários a fé católica não gostavam do trabalho do Pe. Roque e de seus dois companheiros, que haviam vindo da Espanha. O cacique Nheçu, um feiticeiro que era muito poderoso na região onde hoje se encontra a cidade chamada Roque Gonzales, liderou uma revolta contra os padres Roque e Afonso. Os índios estavam tão furiosos que deram um golpe com um machado de pedra na cabeça de Pe. Roque fazendo com que sua cabeça se desgarrasse do seu corpo e logo após mataram Pe. Afonso, isso na redução de Caaró, no dia 15 de Novembro de 1628. Em seguida queimaram os cadáveres dos dois sacerdotes. Dois dias depois assassinaram também o Pe. João del Castilho, após muito o torturarem, em uma aldeia vizinha.

Havia ainda em Caaró um índio que estava sendo preparado para ser batizado, chamado Cacique Adauto. Há quem diga que este nativo também foi martirizado, por ter sido contra a morte dos padres. Pode ser que um dia seja elevado a glória dos altares, mas ao que parece há falta de provas sobre seu caso.

Estes grandes mártires do catolicismo no Brasil foram beatificados por Pio XI em 1934 e canonizados por João Paulo II, em sua visita ao Paraguai em 1988.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O Santo de Assis


São Francisco de Assis orando
Sem dúvida alguma um dos santos mais conhecidos da Igreja Católica é São Francisco de Assis. Filho de um nobre comerciante de tecidos, nasceu dia 5 de julho de 1182, em Assis na Itália. Quando jovem, Francisco não era uma pessoa muito religiosa, deixando se levar pelos pecados que o mundo oferece. Após combater uma guerra, no entanto, ferido que estava, se retirou em uma torre para se recuperar fisicamente e ali também pode se recuperar espiritualmente, vivendo uma sincera conversão.

Na época de Francisco muitos padres e bispos viviam no pecado. Suas vidas eram repletas de luxo, ganância e gula, dificultando assim que os fieis encontrassem a Jesus Cristo. Porém Francisco encontrou o Senhor nas suas criaturas; na água que corre no riacho e sacia a sede, nos pássaros que voam pelos céus e assim por diante. Chamava cada criatura de irmão e irmã.

Juntamente com alguns amigos, Francisco pediu ao Papa Inocêncio III autorização para fundar uma nova ordem religiosa: a Ordem Franciscana. Estes frades deveriam ser conhecidos em todos os lugares pela sua pobreza, pois nada deveriam possuir, além do amor a Cristo. Santa Clara seguiu seu exemplo e fundou o ramo feminino da Ordem Franciscana, as Damas da Pobreza, conhecidas como Clarissas. Um grande amigo de São Francisco, que também se tornou frei franciscano foi Santo Antônio de Pádua. Na época muitos achavam que a Igreja iria acabar, mas como ela foi fundada por Jesus, o Espírito Santo moveu Francisco para fundar a Ordem, que de certo modo “segurou” a Igreja, dando a ela muitos santos e santas.

Um episódio muito conhecido da vida do santo de Assis é aquele em que um lobo ameaçava atacar a cidade de Gubbio, o que fez com que os homens dali quisessem matá-lo. Sentindo compaixão do pobre animal, Francisco foi até a mata e lhe ordenou que parasse de atacar as pessoas e seus animais, em nome de Cristo, e receberia em troca o alimento necessário para sua sobrevivência. O lobo simplesmente concordou e o povo lhe tratava como se fosse um cão de estimação.

Também foi Francisco o primeiro a montar um presépio. O fez para explicar melhor aos fieis como aconteceu o nascimento de Jesus, usando animais e pessoas de verdade, em um curral.

No dia 14 de dezembro de 1224, quando orava no Monte Alvernia recebeu os estigmas de Cristo (as chagas de Jesus), que carregou com alegria até a morte, a quem chamava de irmã. Sentindo que o fim de sua vida estava próximo, despediu de Clara e seus outros amigos e leu muitas passagens do Evangelho, vindo a falecer no pôr-do-sol do dia 3 de outubro de 1226, sendo canonizado (declarado santo) apenas dois anos depois.

A vida deste santo é um verdadeiro exemplo de humildade e serviço a Igreja, mas não podemos nos lembrar de São Francisco de Assis apenas o relacionando a animais e plantas, pois estes não possuem almas. Apesar de o homem ter a obrigação de cuidar na natureza, esta foi criada por Deus para lhe servir. Nosso querido santo não se admirava com uma flor ou com uma minhoca: se admirava com o poder de Deus, que os criara, louvando assim a Deus. Como disse o Papa Bento XVI devemos cuidar primeiro das nossas almas, e posteriormente nos preocupar com a natureza, como fez São Francisco de Assis e todos os outros santos.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus: últimos anos de vida no Carmelo

Santa Teresinha, após se tornar irmã
Depois de conhecermos os fatos principais que ocorreram durante a infância, adolescência e juventude da santinha de Lisieux, que fora marianinha e posteriormente congregada, vamos agora ver como foram os últimos anos de vida de Santa Teresinha.

Vimos na última postagem que por cuidar de uma irmã que padecia de tuberculose, nossa santinha acabou contraindo a doença, chegando a vomitar muito sangue e sofrendo calada. Porém, mesmo muito enfraquecida, Teresa não rejeitava trabalho algum que lhe dessem, de modo que as irmãs não percebiam que tinha a doença, quando foi descoberta já era tarde. Mas sempre oferecia seus sofrimentos a Deus, na intenção de ajudar as missões católicas em outros países, sendo por isso considerada a padroeira das missões, mesmo sem nunca sair do Carmelo.

Mas Teresa, querendo chegar a perfeição, percebia que suas orações e penitências eram fracas. Após ouvir maravilhada a pregação de um padre em 1894, decide adotar aquilo que chamou de “Pequena Via”, que consistia em fazer pequenos sacrifícios e se entregar ao amor de Jesus como uma criancinha que se entrega aos braços de seu pai. Ela seria então a menor das filhas de Deus.

A cada dia sua doença piorava; seus pulmões ficavam a cada dia mais cheio de sangue, dificultando sua respiração. No dia 30 de setembro de 1897 sua saúde se agravou ainda mais e de manhã chegou a dizer às freiras que lhe rodeavam: “eu não me arrependo de ter me abandonado ao amor”. Já a tarde, cada vez pior, disse a madre superiora, sua irmã: “Farei cair uma chuva de rosas sobre a Terra”, se referindo a quantidade de milagres que alcançaria de deus para os seus devotos. Quanto aos milagres também disse: “Passarei o meu Céu fazendo o bem na Terra”. Vendo que estava Teresa a morrer, as irmãs chamaram o padre para ministra-lhe a Unção dos Enfermos e dar-lhe a última Comunhão. A tuberculose é uma doença que agravada não permite que as pessoas ingiram qualquer coisa, sendo assim Teresa não conseguiu sequer comungar, visto a gravidade de sua doença.
Santa Teresinha dias antes de sua morte, já gravemente
acometida pela tuberculose

A tardezinha Teresa, que passava um mal enorme, levantou ficando como que sentada, e estando seu rosto como que radiante de paz e serenidade disse: “Eu te amo Jesus, meu bem-amado”, comprovando que via o Senhor em sua frente momentos antes de morrer. Dizendo estas últimas palavras, aos 24 anos, entrou Teresa para a glória celeste.

Antes de morrer, quando já estava gravemente enferma, Teresa começou a escrever um diário contando os principais fatos de sua vida, a pedido de sua irmã Pauline. Após a sua morte, ao lerem o diário, as irmãs ficaram maravilhadas com os textos e decidiram publicar o diário, que chamaram “História de uma alma”. Este livro é uma das biografias mais lidas do mundo. Também compôs 54 poemas.

O Papa  Pio XI a declarou santa no dia 17 de maio de 1925 e no dia 19 de outubro de 1997 João Paulo II a declarou Doutora da Igreja, título que recebem aqueles santos que ajudaram a Igreja a compreender os mistérios de Deus. Hoje Santa Teresinha é ao lado se Santa Joana d’Arc a padroeira da França.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos.


Santa Teresinha preparando
a celebração de uma missa
Santa Teresinha morta


sábado, 1 de outubro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus: juventude, quando ingressou no Carmelo

Santa Teresinha com aproximadamente
15 anos, na época em que foi conversar
com o Papa Leão XIII
Já tivemos conhecimento sobre a infância e a adolescência de Santa Teresinha. Agora vamos analisar como foi seu ingresso no Carmelo, quando se tornou religiosa, vivendo sua juventude consagrada a Deus.

Após o episódio de sua conversão no Natal de 1886, Teresa ficou decidida a ingressar no Carmelo, mas era muito nova ainda. Seu pai e suas irmãs a aconselhavam esperar mais um pouco, mas ela sentia um amor muito forte arder em seu coração. Fez de tudo para se tornar religiosa: pediu a superiora do Carmelo que lhe negou, então resolveu falar com o Bispo, que também lhe negou. Teresa ficou muito desolada. É importante destacar que a essa altura, das cinco filhas de Luís e Zélia três já eram religiosas, incentivando ainda mais aquela adolescente aparentemente “louca” a tentar ingressar no Carmelo.

Teresa estava realmente decidida. Como a superiora e o Bispo lhe negaram o ingresso, convenceu seu pai e outros familiares a irem com ela até o Vaticano, convencer o Papa Leão XIII a deixá-la ser carmelita, isso em novembro de 1887. Como o Bispo era contrário a sua vontade, o Papa pediu que ela esperasse um pouco. Durante este tempo de espera Teresa começou a se santificar fazendo pequenos sacrifícios. Lavava um copo que achava sujo na pia da cozinha, apanhava um brinquedo que um de seus primos deixava jogado no chão da sala e assim por diante.

Santa Teresinha após ingressar no Carmelo,
ainda noviça, com aproximadamente 18 anos
Finalmente chegara o dia que tanto aguardava: Teresa ingressou finalmente no Carmelo no dia 9 de abril de 1888, aos 15 anos. Quando noviça (espécie de seminarista, no caso das mulheres), Teresa foi encarregada de cuidar de uma irmã que sofria de tuberculose, contraindo assim a doença que tanto lhe faria sofrer até a morte, como veremos adiante. No Carmelo Teresa foi muito injustiçada e sofria perseguição de muitas freiras, visto que era muito novinha e humilde. Fez sua profissão religiosa, ou seja, se tornou freira definitivamente no dia 8 de setembro de 1890 (data em que a Igreja comemora o Nascimento da Virgem Maria), adotando o nome de Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face.

Após a morte de seu pai a sua última irmã que não havia ainda ingressado em algum convento o fez, sendo que das 5 filhas dos Beatos Zélia e Luís Martin, 4 eram carmelitas, morando no mesmo convento que Teresa, em Lisieux. Como provinham de uma família cheia de cultura, Teresa e suas irmãs faziam ali muitas peças teatrais, como a de Santa Joana D’Arc.

Mas a tuberculose era uma doença incurável na época, e Teresa piorava a cada dia, como veremos na próxima postagem sobre Santa Teresinha do Menino Jesus.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus: adolescência, quando foi marianinha

Santa Teresinha aos 8 anos, em 1881,
pouco antes de se tornar marianinha
Na última postagem sobre Santa Teresinha vimos como foi seu nascimento e os principais fatos de sua infância. Agora vamos mergulhar um pouco nos fatos de sua adolescência, que começa com sua Primeira Comunhão, no dia 8 de maio de 1884, quando tinha 11 anos. Também nesta data Teresinha, como era chamada pelas pessoas mais próximas, ingressou como marianinha na Congregação Mariana para moças do Colégio Feminino da Abadia das Monjas Beneditinas de Lisieux, também chamada de Congregação das Filhas de Maria. Quatro anos mais tarde, em 1888, em carta escrita a Irmã São Plácido, disse Teresa: “Foi com prazer que recebi a carta circular das Filhas de Maria. De certo não deixarei de assistir em espírito a esta linda festa. Pois foi nesta capela bendita que a Santíssima Virgem se dignou adotar-me por filha, no belo dia da minha Primeira Comunhão e da minha recepção na Congregação Mariana das Filhas de Maria.”

De seu apostolado na Congregação Mariana pouco ou quase nada sabemos, pela falta de documentos. Por isso é de extrema importância que se relate e anote tudo que acontece nas Congregações Marianas e principalmente nos Marianinhos, pois pode haver ali algum futuro santo ou papa.

Voltemos à adolescência de nossa estimada santinha. No Natal de 1886, Teresa vivenciou um episódio que mais tarde chamou de “Noite da minha conversão”. Ao chegar em casa após a Missa do Galo, quando os relógios já marcavam 2 horas da madrugada, não achou seu presente próximo a lareira e por causa disso apresentou comportamento infantil. Ela percebeu que seu pai, Luís, ficou um tanto aborrecido com sua atitude, pois já tinha 14 anos. A partir deste dia Teresa não mais chorou por motivos tolos.

Sua estada no colégio feminino não durou mais que 5 anos, uma vez que inteligente e dedicada como ela só, sofria muitas humilhações das suas colegas de classe, que não levavam os estudos a sério. Com muito custo Teresa conseguiu o consentimento de seu pai para deixar o Colégio e estudar com sua irmã Maria em casa, algo permitido na época.

Ao completar 15 anos Teresa decidiu entrar para o Carmelo para ser religiosa. Mas esta parte da história de sua vida contaremos amanhã, na próxima postagem sobre a vida de Santa Teresinha do Menino Jesus.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Santa Teresinha do Menino Jesus: nascimento e infância

Santa Teresinha aos 3 anos, pouco
antes da morte da sua mãe
Desde 1563, quando foi fundada pelo Pe. Jean Leunis em Roma, as Congregações Marianas tem dado muitos santos a Santa Igreja Católica, mais precisamente 62. Contudo este número não é preciso, pois há muitos outros santos que foram congregados marianos e não sabemos, pois no passado não havia muitos documentos que provavam seus ingressos nas Congregações Marianas.

Mas dos muitos santos  congregados que conhecemos, chegando o mês de Outubro uma merece destaque: Santa Teresa de Lisieux, ou Santa Teresinha do Menino Jesus, como é mundialmente conhecida. Nasceu em Alençon, na França, no dia 2 de janeiro de 1873, numa família rica. Seus pais, os Beatos Zélia e Luís Martin sonhavam antes de se conhecerem em ser irmã religiosa e padre, mas Deus tinha outros planos para os dois, que não foram aceitos no convento e no seminário. Quando casaram sempre pediam a Deus que se seus filhos fossem pecadores, que o Senhor lhes tirasse a vida antes mesmo de nascerem. E parece que Deus os escutou: Zélia teve 4 filhos que morreram pequeninos e teve ainda 5 filhas, sendo que todas se tornaram religiosas.

Desde os 2 anos de idade Teresa já falava que seria religiosa, para alegria de seus pais e suas irmãs, mas o caminho de quem quer servir a Deus não é fácil: quando tinha 4 anos de idade sua mãe faleceu vítima de um câncer. Conta a história que Zélia chegou até a ir a Lourdes, na fonte milagrosa que Nossa Senhora mostrou a Bernadete, mas novamente Deus tinha outros planos para sua vida. Após a morte de Zélia, Luís decide mudar com suas 5 filhas para Lisieux em 1877.

Como sua mãe morrera sendo Teresa ainda uma pequena criança, ela se apegou muito a sua irmã mais velha, Pauline, que a tratava como uma filha, muitas vezes com muito mimo. Mas Pauline também sonhava ser irmã e queria ingressar no Carmelo, de onde as religiosas que ali ingressam nunca mais saem, nem sequer para irem à rua, a menos que seja por um motivo muito extraordinário. Ali vivem completamente isoladas do mundo. Portanto, quando no Carmelo ingressou Pauline, Teresa logo caiu gravemente enferma, de modo que nenhum médico na época conseguiu desvendar qual a sua doença.

Teresa revelou que tudo que via parecia ser demônios, inclusive seu bondoso pai. Ele e suas 3 irmãs que ainda moravam com ela ficaram completamente desesperados, pois já fazia duas semanas que estava enferma, se alimentando muito mal. Mas tiveram uma idéia. Havia na casa uma imagem da Imaculada Conceição, que pegaram e a colocaram em frente à cama de Teresa, que, angustiada, pediu à “Virgem do Sorriso" que a curasse. Desde então sua vontade de entrar no Carmelo se tornou uma decisão convicta, mas a pequena Teresa nem tivera feito sua Primeira Comunhão ainda.

Aqui termina a história dos fatos mais importantes da infância desta santinha. Amanhã postaremos um texto contando como foi sua adolescência, quando se tornou marianinha.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"Eis aí um israelita de verdade. Não há nenhuma falsidade nele!"

Certamente um dos Apóstolos menos conhecidos é São Bartolomeu, porém recebeu do Senhor um dos maiores elogios que alguém possa ganhar. Segundo o Apóstolo João, logo após Filipe ser chamado por Jesus para lhe seguir, ele disse a Natanael (Bartolomeu) que encontrara o Messias, A princípio Bartolomeu ficou receoso: "Pode sair alguma coisa boa de Nazaré?" Mas logo após ser elogiado por Cristo confessou: "Tu és o Filho de Deus; Tu és o Rei de Israel", e o Senhor Jesus lhe disse que veria o Filho do Homem em sua glória, junto a seus anjos(cf. Jo 1, 43-51).

Muito pouco sabemos sobre a vida deste santo. As Sagradas Escrituras (a Bíblia) não fala muito dele. Contudo, segundo a Sagrada Tradição (História passada de geração em geração) Bartolomeu pregou o Evangelho em vários países, como a Índia, a Armênia, o Irã e o Egito. Seu martírio foi um dos mais violentos do mundo até hoje: Após arrancarem a sua pele com um alfange (espécie de faca) lhe cortaram a cabeça. Ainda segundo uma antiga Tradição, no dia de sua morte ventou muito, por isso, muitos anos o mês de Agosto é marcada por fortes ventos, que só param no dia 24.

Uma curiosidade a seu respeito é que era o único Apóstolo canhoto. Por isso é o padroeiro dos canhotos, além dos padeiros, mercadores, alfaiates, sapateiros e da cidade de São Petesburg, na Rússia, onde possui muitos devotos.

Certa vez o Papa Bento XVI afirmou que vários acontecimentos da vida de São Bartolomeu ficaram no esquecimento provocado pelo tempo para nos servir de exemplo, pois nada vale buscar aparecer acima de tudo.

A mesma promessa que fez a Bartolomeu, Cristo faz àqueles que ainda hoje acreditam Nele. Mas será que estamos seguindo aquilo que a Sua Igreja prega? Encontramos um mundo cheio de opções que nos afastam de Deus, mas assim como São Bartolomeu, quem se manter firme será salvo no último dia.

São Bartolomeu Apóstolo; rogai por nós!

João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

São Maximiliano Maria Kolbe: exemplo de amor ao próximo

Jesus Cristo sempre disse para amarmos ao próximo como a nós mesmos, mas muitas poucas pessoas dão realmente atenção a este apelo do Senhor. Dentre as poucas pessoas que atenderam a este pedido está Maximiliano Maria Kolbe, que nasceu no dia 8/1/1894, na Polônia.

Franciscano desde 1907, fundou em 16 de Outubro de 1917 a Milícia da Imaculada, uma associação parecida com a Congregação Mariana, que divulga uma forte devoção a Nossa Senhora. Criou a revista "Cavaleiro da Imaculada" e instalou até uma emissora de rádio. Entre 1930 e 1936 foi missionário no Japão, levando a Palavra de Deus a cidade de Nagasaki. Contudo, seu apostolado se destacou durante a Segunda Guerra Mundial, ocasião de perseguição a muitas pessoas, principalmente aos judeus, os quais Maximiliano abrigou cerca de 2000. Sendo uma pessoa muito influente, e que promovia a caridade, foi preso em 1941 na Polônia, sendo levado para o Campo de Concentração de Auschwitz, onde os prisioneiros eram torturados até a morte. Lá era o prisioneiro #16670 (ver detalhe no número do seu uniforme, na figura a cima).

Em Julho de 1941 um camponês que estava preso com Maximiliano foge, e como castigo, os nazistas decidiram matar 10 outros prisioneiros, de fome e de sede. Um dos dez, Francisco Gajowniczek, lamenta-se, pois tinha mulher e filhos para sustentar. Comovido, Maximiliano Kolbe pede para morrer em seu lugar, e os nazistas aceitam o pedido do padre. Após duas semanas sem comer nem beber nada, Maximiliano e mais 3 prisioneiros sobrevivem a tortura, e os nazistas decidem matá-los com uma injeção letal no dia 14/8/1941.

Foi canonizado (declarado santo) no dia 10/10/1982, pelo Papa João Paulo II.


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos

domingo, 31 de julho de 2011

O santo padroeiro dos padres

Estamos nos aproximando da festa de São João Maria Vianney, que a Igreja celebra dia 4 de Agosto. Muitas vezes ouvimos falar deste santo, mas conhecemos pouco dele. Por isso apresentamos um breve resumo sobre sua vida.

João Maria Batista Vianney nasceu na em Lyon, na França, em 8/5/1786, em uma família pobre e humilde. Quando ainda era criança, muitas vezes sumia sem dizer aonde ia, e quando seus familiares o procuravam, o achavam rezando silenciosamente nos cantos da casa ou nos jardins. Era muito devoto de Nossa Senhora e desde pequeno queria muito ser padre, mas para isso teria que vencer dois obstáculos: a pobreza de sua família e a sua falta de inteligência. Aos vinte anos ingressou no seminário, e já aí enfrentou um problemão: os cursos eram todos em latim, e ele não entendia nada. Mas apesar dos desafios que encontrava, foi ordenado padre aos 29 anos de idade. O Bispo, que não sabia o que fazer com aquele padre "burrinho" resolveu mandá-lo para a menor paróquia da França: Ars, uma vilazinha pequenininha, de 300 habitantes, que estava há um tempão sem pároco. Lá o pecado tinha contaminado quase todos, mas ele foi assim mesmo, pois era obediente.

Conta-se que quando estava perto de Ars, se achando perdido, sem saber o caminho, perguntou a um menino onde ficava o vilarejo. Quando o menino lhe mostrou o caminho o padre lhe disse: “Você me mostrou o caminho de Ars, e eu lhe mostrarei o caminho do Céu”, e o menino morreu poucos dias depois. Quando lá chegou, vendo que a capela estava sempre vazia, e que o povo fazia muitas festas indecentes, intensificou suas orações, jejuns e penitências e começou a visitar as pessoas lhes chamando para a Missa. Ars começava a mudar completamente; a capela começava a ficar sempre cheia e os bares, as festas indecentes e as casas de jogos ficavam vazios, o que fez com que seus donos começassem a perseguir o padre.

A sua fama corria por toda a França e de todos os lugares vinham pessoas para confessar. Eram tantos os que queriam ser perdoados pelo sacerdote que ele chagava a ficar 14 horas por dia no confessionário! Dava sempre pequenas penitências aos pecadores, pois ele mesmo cumpria uma parte delas. Chegou ao ponto de confessar 80000 pessoas por ano.

O muito jejum que fazia e a falta de cuidado consigo mesmo, devido a seu serviço prestado às almas, fizeram com que ficasse fraco, resultando em sua morte no dia 4/8/1859, aos 73 anos, em Ars. No seu enterro compareceram aproximadamente 300 padres. Seu corpo está incorrupto até hoje. Foi declarado santo em 1925 pelo Papa Pio XI, e em 2009 o Papa Bento XVI o declarou padroeiro de todos os padres do mundo.

São João Maria Batista Vianney, rogai por nós!


João Carlos Resende, Coordenador dos Marianinhos