segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Conselheiro dos Marianinhos Nossa Senhora de Lourdes se torna seminarista

O novo seminarista da Diocese de São João
Del Rey/MG, Mateus José Resende, quando
era acólito da Paróquia Nossa Senhora da
Penha de França, em 2010
No dia 25/2, sábado, o conselheiro dos Marianinhos Nossa Senhora de Lourdes, Mateus José Resende, 17 anos, ingressou no Seminário Maior São Tiago, da Diocese de São João Del Rey/MG. O novo seminarista da diocese fará o curso propedêutico, onde se preparará para o curso de Filosofia em 2013 e estudará o Catecismo da Igreja Católica, o Latim e outras disciplinas necessárias para sua formação sacerdotal.

Natural de Resende Costa, Mateus residiu desde que nasceu na zona rural do município, mas isto não foi um obstáculo para seu apostolado na Paróquia Nossa Senhora da Penha de França, onde era acólito e sineiro. 

Ingressou na Congregação Mariana em 2009, como marianinho, onde logo ganhou a confiança de todos e assumiu o cargo de tesoureiro do Departamento. Em 2010 tomou posse como aspirante, deixando também o cargo de tesoureiro para se tornar conselheiro e no dia 8/12/2010, Solenidade da Imaculada Conceição, fez sua consagração provisória, tornando-se candidato da CM.

A Paróquia de Resende Costa ainda possui outros dois seminaristas diocesanos: Adriano Tércio (3° período de Teologia) e Lucas Alerson (3° período de Filosofia), que também é conselheiro dos Marianinhos.

Os marianinhos que se sentirem chamados para a vida sacerdotal devem procurar o Pe. Éder, pároco da Senhora da Penha de França. É importante a oração para discernirem se são chamados a serem sacerdotes diocesanos ou religiosos, aqueles que pertencem a uma ordem, congregação, instituto etc, como os Franciscanos, Salesianos, Camilianos entre outros.

A Congregação Mariana deseja ao Seminarista Mateus e a todos os outros muita felicidade nessa etapa tão importante de suas vidas e roga a Mãe de Deus que os abençoe e os ampare nessa fase.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eis o tempo de conversão!

Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo,
o maior símbolo da Quaresma

Nesta Quarta -feira de Cinzas a Igreja Católica inicia um novo tempo litúrgico: a Quaresma, que se estende até as vésperas da Santa Missa da Ceia do Senhor, na Quinta- feira Santa.

Os grandes santos sempre se alegram com a chegada deste tempo, pois nele a Igreja convoca seus filhos para se converterem de seus pecados, que tanto ofendem Nosso Senhor Jesus Cristo. E para chegarmos a conversão, a Igreja nos dá uma receita bem simples: oração, jejum e esmola. Através destas três obras podemos nos aproximar mais de Deus.

Durante este tempo a Igreja usa como cor litúrgica o roxo, para nos lembrar do caráter penitencial da Quaresma. No entanto, no 4° Domingo pode ser usada a cor rosa, uma cor mais alegre, que pretende nos lembrar que a Ressurreição de Jesus se aproxima.

Em muitas igrejas e capelas, principalmente em Minas Gerais, as imagens dos santos e da Virgem Maria são tampadas com um pano roxo ou retiradas dos templos. Essa prática tem dois significados: lembrar as trevas, pois neste tempo lembramos constantemente da Paixão e Morte de Jesus e fazer com que nossas atenções estejam completamente voltadas para o Senhor. Por isso sempre fica uma cruz à mostra na frente do interior das igrejas.

Outro exercício de piedade muito comum deste tempo é a Via-Sacra. Esta oração consiste em meditar diante de 14 quadros ou cruzes, 14 passos do caminho de Nosso Senhor até ser sepultado.

Algo extremamente importante que não podemos deixar de falar é do jejum neste tempo. A Igreja pede que os fieis o façam por completo na Quarta- feira de Cinzas e na Sexta- feira da Paixão (já não mais na Quaresma, mas no Tríduo Pascal), contudo ela incentiva que as pessoas o façam mais vezes e recomenda bastante evitar o consumo de carne, sobretudo às sextas- feiras.

Também aqui no Brasil, durante a Quaresma, a Igreja convoca aos fieis para meditar algum tema de importância significativa para o país, na chamada Campanha da Fraternidade, que este ano aborda a saúde pública, com o tema: “Que a saúde se difunda sobre a terra”. Mas adiante postaremos no nosso blog um texto que enfoque mais diretamente o assunto, com o auxílio da Carta escrita pelo Papa Bento XVI para a CNBB.

Que nesta Quaresma possamos reconhecer nossos pecados e pedir perdão ao Senhor por eles, sempre buscando o confessionário para isso. E que a Santíssima Virgem das Dores nos auxilie nesta luta contra o poder das trevas!

Bendita seja a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos salvou da morte eterna!



João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Na Gruta de Massabielle, em Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes e Santa
Bernadete Soubirous, na Gruta de
Massabielle

 “Eu sou a Imaculada Conceição”. Com estas palavras a Virgem Maria se identifica à Bernadete, mostrando que aqueles momentos em que esteve em contato com aquela doce senhora, antes desconhecida e ao mesmo tempo misteriosa, não foram momentos onde a fé se tornou confusa e muito menos a sua inocência se corrompeu. Mas naquele instante, Bernadete sentiu a doce sensação de um céu ali, improvisado pela presença da Mãe de Deus, a Senhora de Lourdes.

Nesse cenário não se fazia presente o luxo ou a exuberância que a Mãe de Deus merecia por ser tão grande a sua glória. Não estavam ali grandes poetas a entoarem lindas e harmônicas poesias, não se faziam presentes grandes músicos para diante de tão amável e dócil presença entoarem em seus acordes e melodias os louvores à Rainha do Céu. A Mãe de Deus não quis que fosse assim. Quis de uma maneira totalmente diferente. A maneira que Deus age em nossas vidas. De maneira suave, calma, tranquila, no vento que passava, nas folhas das árvores que se moviam, na relva verde presente em uma gruta, eis o cenário em que a Virgem se mostrou.

A jovem Bernadete, menina simples e singela foi contemplada com um maravilhoso presente. A Mãe de Deus a escolheu para ser portadora de sua mensagem de convite à conversão e à oração. Que grande missão foi esta. E apesar da descrença do povo, Bernadete não desanimou, persistiu na vontade da Senhora, não abandonando Aquela a quem a ela se tinha confiado. Bernadete foi a primeira de muitos que naquele local honrariam à Santíssima Trindade por intermédio de Maria Santíssima.

Nesta aparição, Maria transmite várias mensagens. Não apenas aquelas as quais disse para a jovem vidente. Mas mensagens que podemos perceber através de sua iconografia e da devoção a Ela prestada pela Igreja. A escolha do local, uma gruta simples como outra gruta qualquer, um local isolado. Talvez Maria quisesse nos lembrar de onde e como deu à luz a seu Filho Jesus Cristo, da maneira que Deus se manifesta na vida de todos nós.

A simplicidade é uma característica marcante nos relatos da presença de Maria nos Evangelhos e tal característica se faz presente também em suas aparições. Em Lourdes algo chama a nossa atenção. A Senhora aparece envolta em um manto branco, reluzente. Não há adornos, joias, enfeites, bordados, brocados. A vestimenta da Senhora é simples. Mesmo sendo Rainha, Maria dá-nos uma lição de pudor e modéstia. Apenas traz à cintura uma faixa azul que contrasta com o manto branco. Seria uma menção ao grandioso Céu, ponto de chegada de todos os cristãos convertidos. Maria nos quer junto a Ela, ao lado dela e de seu Filho na glória celeste. 

Possamos então, caros amigos leitores, não apenas ler a história de suas aparições em Lourdes com os olhos do corpo que apenas percebem os fatos, as datas, as personagens. Vamos assumir o propósito de enxergar além daquilo que está escrito, de imaginar o cenário, a conversa, o amor de Maria por todos nós seus filhos expressado no carinho que teve com Bernadete. Que nós que a temos como padroeira possamos seguir firmes em seu exemplo e no exemplo de Santa Bernadete e ter no coração o seguinte pensamento: Ela nos quer junto dela e de seu Filho Jesus.

Ó Maria concebida sem pecado! Rogai por nós que recorremos a Vós!




Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Sebastião: exemplo de mártir

Imagem de São Sebastião em estilo barroco,
do Século XVIII, pertencente à antiga Igreja
Matriz de Resende Costa, demolida na
década de 30

O mês de Janeiro está terminando e com ele vamos refletindo os mistérios que a Igreja nos propôe. Neste mês temos a honra e a satisfação de celebrar um grande santo da Igreja, o glorioso mártir São Sebastião. Este homem é um grande exemplo de vivência do Evangelho e de testemunho de vida cristã, pois sendo mártir, deu sua vida em prol do anúncio do Evangelho e da conversão de pagãos ao Cristianismo ainda perseguido.

Sebastião foi um entre a multidão de cristãos que em sua época, por volta do ano 300 (séc. IV) foi perseguida por causa de sua profissão de fé em Jesus Cristo. Naqueles tempos, o Cristianismo ainda não era permitido e quem professasse publicamente sua fé correria o risco de ser preso e até morto.

A Igreja nunca viveu tempos de paz. Ora eram perseguições contra seus fiéis, ora graves heresias comprometiam o ensino da doutrina e a crença no Evangelho, ora a situação política da Europa interferia em sua organização. São Sebastião foi um homem consciente da realidade em que vivia, sabia dos perigos de ser cristão e de todas as consequências que isso o traria. Mesmo assim, diante de tudo e de todos, Sebastião não deixou que sufocassem seu amor e seu afeto pelo Cristo, pois sentia seu coração arder quando ouvia as palavras do Mestre.

A história deste grande Santo da Igreja é bem conhecida. São Sebastião viveu no século IV e serviu ao Império Romano como soldado. Devido à sua dedicação como soldado foi elevado ao cargo de capitão, comandando assim os outros soldados. Fontes históricas e da tradição da Igreja confirmam que Sebastião era um homem sensato, tranquilo e respeitoso para com todos. Às ocultas, São Sebastião ajudava os cristãos que eram presos e perseguidos pelo Imperador Diocleciano.

Por tanto bem que Sebastião prestava aos cristãos encarcerados causava ira e inveja em quem não tinha coragem de aceitar a força da Igreja nascente. Por causa disso, Sebastião foi entregue ao Imperador, e professando sua fé em Cristo, foi acusado de traição contra o Império. A mando do Imperador foi amarrado em uma árvore e transpassado por flechas. Este grande homem impulsionado pela graça de Deus sobreviveu a este atentado. Desmaiado, os soldados jogaram seu corpo em um buraco e eis que uma devota daquele lugar, Santa Irene, retirou seu corpo daquele local e, vendo que estava com vida, cuidou de suas feridas.

Passado algum tempo, Sebastião voltou ao palácio do Imperador e com coragem professou sua fé novamente diante do Imperador. Este, assustado por ver Sebastião vivo mandou que o açoitassem na sua frente para constatar que estava morto.

Eis o grande exemplo de coragem e destemor que São Sebastião nos dá. Apesar de sofrer as mais doloridas penas do martírio não se amedrontou e de maneira mais intensa reafirmou sua fé e seu amor para com o Cristo. Outra virtude que a tradição da Igreja reconhece em São Sebastião era a sua grande devoção para com a Virgem Maria.

O seu profundo respeito à Mãe de Deus e o seu amor inabalável a Cristo tornaram-no um cristão fervoroso e complacente para com os necessitados. A boa fama e conduta que São Sebastião tinha entre seus conhecidos, amigos e próximos era fruto de uma profunda experiência com o amor que aqueles primitivos cristãos tinham e que os motivavam a entregar suas vidas por algo maior e mais perfeito: a eternidade do céu.

O martírio é uma possibilidade e uma realidade. Quantas pessoas, assim como São Sebastião, doam suas vidas em prol do anúncio do Evangelho em terras que ainda não se despertaram para o amor de Cristo? Ou melhor, tranzendo para a nossa realidade, quantas pessoas no seio da Igreja sofrem espiritualmente uma perseguição da sociedade por serem verdadeiramente cristãos católicos comprometidos com os ensinamentos da Igreja e fiéis a ela?

Peçamos com bastante fervor o auxílio e a poderosa intercessão de São Sebastião para que assim como ele possamos vencer as barreiras do mundo e vitoriosos ingressarmos no Reino de Deus. Glorioso São Sebastião, livrai-nos da peste, da fome e da guerra e dai-nos forças para suportarmos com alegria e motivação todas as provações que a nós vierem.


Seminarista Lucas Alerson, conselheiro dos Marianinhos

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Santa Mãe de Deus

Santa Maria, a Mater Dei; a Theotokos

Bem sabemos que a Virgem Maria tem títulos diferentes; Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Penha de França, Nossa Senhora das Graças e muitos outros nomes. Mas, a Igreja celebra um destes títulos no primeiro dia do ano, no dia da paz; Santa Maria, Mãe de Deus.

Desde a época em que os Apóstolos de Jesus viviam ainda aqui neste mundo a Igreja já acreditava que Maria era a Mãe de Deus. Mas sempre houve algumas pessoas que não aceitavam isto, pois diziam que se Nossa Senhora fosse a Mãe de Deus ela seria maior que o próprio Deus. Mas estavam errados.

Jesus poderia ter vindo a Terra da forma que quisesse, mas preferiu nascer de uma mulher, por ser extremamente humilde. Há uma oração muita antiga, da Liturgia das Horas, que diz: “Aquele a quem adoram o céu, a terra, o mar, o que governa o mundo, na Virgem vem morar. A lua, o sol e os astros o servem, sem cessar. Mas ele vem no seio da Virgem se ocultar.” E é isto mesmo, o Rei e Senhor do Universo quis morar no útero de uma mulher para dela nascer e depois nos salvar.

Quando Maria foi visitar Isabel, ao saber que esta sua prima havia engravidado de seu esposo Zacarias, embora velhos, ouviu a mãe de João Batista dizer: “Como posso merecer que a Mãe do meu Senhor venha me visitar?” (Lc 1, 43) Ora, os judeus não chamavam ninguém de Senhor, a não ser ao próprio Deus. Então, como podemos ver, antes mesmo de Cristo nascer Maria já era chamada de Mãe de Deus.

E a Igreja declarou este fato como um dogma; uma verdade de fé revelada por Deus. Isto aconteceu no ano 431, no Concílio (espécie de reunião entre o Papa e os Bispos, onde o Espírito Santo os inspira e mostra a eles quais são as verdades da fé católica) de Éfeso, cidade já destruída, na atual Turquia. O Papa que declarou este dogma foi Celestino I, que desmentiu Nestório. Ele pregava que Jesus eram duas pessoas diferentes: uma que era deus e uma que era homem, por isso falava que Maria era não Mãe de Jesus Deus, mas apenas Mãe de Jesus Homem. Mas isto é inaceitável para os católicos, pois Jesus é Homem e Deus em apenas uma pessoa, e se Maria é Mãe do Homem Jesus, logo é Mãe do deus Filho, o Deus Jesus.

É por isso que a Igreja chama Maria de “Mater Dei” (Mãe de Deus, em latim) ou “Theotokos” (Mãe de Deus, em grego). Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós!



João Carlos Resende, coordenador dos Marianinhos

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Sigamos os pastores de Belém

Pastores recebendo o anúncio do Anjo
Pois bem, já é Natal, uma das grandes festas realizadas e muito marcantes para nós católicos, pois celebramos o nascimento do nosso Salvador Jesus Cristo, “por que Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu filho unigênito para que todo aquele nele creia não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16).

Entretanto não damos à mínima; observamos que nesta época a cidade é toda iluminada, imagens de papai-noel em cada canto. São enfeites bonitos, mas prestamos pouca atenção numa das representações que é o presépio. Neste mesmo tempo observamos várias imagens e cada uma traz um significado, como a dos pastores. Mas afinal qual o significado dos pastores?

Os pastores eram pessoas pobres, talvez alguns até roubassem para sobreviver e por isso eram ignorados. Mas em certa noite, enquanto os pastores estavam em seu trabalho junto ao rebanho, ouviram várias vozes que saiam de nuvens que brilhavam como raio de luz, e a noite se tornou dia. E dizia o anjo “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: pois na cidade de Davi, vos nasceu hoje o salvador, que é o Cristo” (Lc 2, 10-11). Após os Anjos terem se retirado, os pastores foram à procura do Menino Salvador. Assim os pastores representam as pessoas simples a quem Deus se revela e que deixam tudo (o rebanho) para irem ao encontro do Todo-Poderoso.

Por fim devemos não buscar o falso significado do Natal, dando mais valor ao Papai Noel e ao comércio que ao Menino Jesus, mas sim ao verdadeiro encanto, pois Deus nos enviou o seu filho, agora devemos agir como os pastores; procurá-Lo não em enfeites, mas no nosso coração, pois ele já está conosco há muito tempo e não sabemos disso, pois não ouvimos todas as mensagens enviadas para nós através de muitos anjos.



Mateus José Resende, conselheiro dos Marianinhos

sábado, 24 de dezembro de 2011

A olhar o presépio pequenino...

Maria com o Menino Jesus
Estamos nos aproximando do tempo do Natal. Tempo forte assim como o Advento. Neste tempo somos chamados a nos envolver com a alegria e a satisfação de termos recebido em nosso meio o nosso Salvador a tanto tempo prometido como sinal de salvação e redenção dos pecados da humanidade. Sendo assim, o Natal se torna um momento de alegria, de louvor e ação de graças a Deus que desceu dos céus e se encarnou por meio da Virgem Maria. Celebrando tal mistério ficamos admirados ao ver a lição que Cristo quer nos ensinar quando vem ao mundo no Natal.

Temos muitas tradições que herdamos de nossos pais e avós e que praticamos no tempo do Natal. A montagem de uma árvore de natal, os enfeites natalinos por toda a casa, as luzes brilhantes e coloridas, a preparação da ceia de natal são símbolos da festa natalina que marcam e caracterizam tal momento. Mas há um símbolo ou um costume que na sua simplicidade reluz mais do que a lâmpada mais forte e bonita, que ofusca todo o luxo dos enfeites e que nos sacia mais do que uma ceia farta. Talvez esse símbolo seja o último a ser colocado, ou muitas vezes, o primeiro a ser ignorado.

No Natal fico a imaginar que inspiração levou o grande santo da Igreja, São Francisco de Assis a elaborar tamanho tesouro e símbolo de fé que mostra realmente o sentido verdadeiro do Natal. O presépio não traz nenhum enfeite, nenhuma guirlanda, nenhum pisca-pisca colorido; não se vê uma mesa onde se tenha comida farta e troca de presentes. Vê-se ali o Cristo que desce de sua majestade divina, se faz homem no ventre de uma mulher e nasce, fora de casa, em local totalmente despreparado; um local que era repouso de animais. Nesse local o Menino Deus repousa tranquilo, sereno, a contemplar os primeiros momentos de vida neste mundo. A Sagrada Família está formada. Maria e José admiram aquela cena. Deus cumpriu a promessa que fez ao seu povo. Alguns animais ali presentes, irracionais, percebem algo diferente. Um visitante diferente chegou.

Assim como muitas tradições da Igreja tomaram novos rumos de interpretação nesses últimos anos, a essência do Natal foi esquecida. As pessoas olham o presépio e veem nele mais um enfeite para suas casas. O presépio é um tapa na nossa face, é um alerta que Jesus faz para desapegarmos de tudo o que não é necessário, essencial à nossa caminhada aqui neste mundo. O Rei dos reis poderia ter nascido em palácios, cercado de criados, de mimos, de conforto, mas preferiu nascer em um estábulo cercado de animais e de homens simples, de pastores que ganhavam sua vida na labuta do redil. O Rei dos reis poderia ter nascido em um berço de ouro, confortável, macio, mas quis nascer em uma manjedoura, uma espécie de coxo, recoberta de palha. O Rei dos reis poderia ter sido revestido com o mais rico e precioso manto, mas preferiu ser envolto em faixas.

Papa Bento XVI contemplando o presépio do Vaticano
Olhar para o presépio não é reparar somente na disposição das peças, nos enfeites, nas plantas. Olhamos para todos os lugares do presépio, mas na maioria das vezes, não fixamos o olhar dentro daquela gruta (ou casa), no culto que São José e Nossa Senhora prestam àquele menino recém-chegado ao mundo. O personagem principal do presépio que chega na noite do dia 24 de dezembro exige de nós mais atenção, pois ele tem para nós uma mensagem de amor, fraternidade e principalmente simplicidade. Há uma música em uma das missas de Natal que diz o seguinte e nos fala forte ao coração: “Simplicidade é mensagem de Natal. Deus é criança, nunca vimos coisa igual”![1]

Façamos então o propósito de nesse Natal contemplarmos meditativamente o presépio e ver nesse símbolo de fé a realidade de desapego que Cristo quer de nós para que não só valorizemos os enfeites e adornos natalinos, mas principalmente seu mistério de amor e doação por nós.

Um feliz e abençoado Natal a você caro leitor e a toda a sua família!

Salve Maria!


Seminarista Lucas Alerson de Sousa, conselheiro dos Marianinhos


[1] Missa de Natal “Povo de Deus Igreja Santa” do Padre José Cândido Silva.  Edições Paulinas, 1977.